29/01/2019

Secretário do DAE de Cosmópolis fala sobre crise da água

Silvio Luís Baccarin diz que não há possibilidade de privatização e que a Estação de Tratamento de Água não teve investimento na gestão passada

Henrique Oliveira

Neste início de ano, a população cosmopolense vem sofrendo com a falta de água em alguns bairros da cidade. São inúmeros os casos de reclamações em redes sociais e nas conversas entre munícipes. As principais reivindicações são referentes a ausência e, também, a coloração do líquido que chega nas casas de Cosmópolis.

Os moradores do Real Center, Parque Ester, Cidade Alta, Vila Kalil e de partes da região central têm utilizado as redes sociais para exporem indignação diante da falta d´água. Muitos mostraram galões, tambores e outros recipientes onde armazenam a água nos dias em que se falta o recurso na cidade.

A equipe de reportagem do Portal Cosmopolense entrou em contato com o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Cosmópolis para sanar algumas dúvidas da população sobre o sistema de abastecimento da cidade. Em exercício atualmente, o secretário da pasta é o vice-prefeito Silvio Luís Baccarin, que acumula além desta função, a de secretário de Saúde do município.

Confira a entrevista na íntegra

Foto: reprodução EPTV

Na semana passada tivemos alguns dias onde uma boa parte da população de Cosmópolis ficou sem água. Qual foi o motivo? A Estação de Tratamento de Água (ETA) Pirapitingui teve um problema elétrico no final da tarde de sexta-feira (18) que ocasionou a queima de um motor e outros dois equipamentos. Por este motivo, a estação precisou ficar parada por algumas horas. Esta paralisação ocasionou uma despressurização da rede e fez os bairros mais altos ficarem sem água por um período. A interrupção do funcionamento da ETA também ocasionou outros problemas – desta vez, não na estação, mas em parte da rede de distribuição de água – e novos serviços de manutenção foram realizados na segunda-feira (21). A coloração amarelada na água é causada pela despressurização da rede. Quando a pressão cai ocorre uma inversão de fluxo e a película de sedimentos que se acumulou nas laterais dos canos ao longo dos anos se movimenta e se mistura à água que está passando. Atualmente, a rede de distribuição está pressurizada e os reservatórios abastecidos. Apesar disso é importante que a população utilize racionalmente a água. Caso algum munícipe ainda enfrente problemas de falta de água, a prefeitura pede que entre em contato com o Departamento de Água e Esgoto (DAE) pelo telefone (19) 3812-8010 para que um técnico faça uma visita ao local.

A Estação de Tratamento de Água (ETA -Pirapitingui) teve a construção iniciada pelo prefeito Orlando Kiosia e a entrega com o prefeito Osvaldo Heitor Nallin em 1979. Durante vários governos sucessores a estes anos, foi-se readaptando conforme a necessidade da cidade. Hoje pode-se considerar que a ETA não comporta o tratamento de água para a população atual de Cosmópolis? Com os investimentos feitos nos nossos governos anteriores, o DAE sempre trabalhou com uma folga na produção e no armazenamento de água para minimizar os prejuízos à população em caso de problemas na ETA ou na rede de distribuição. Porém, após oito anos sem investimentos do governo passado na expansão da capacidade de produção, na rede de distribuição e da capacidade de armazenamento, a ETA perdeu esta margem e hoje trabalha no limite para atender a população do município.

Quais serão os investimentos futuros no sistema de abastecimento de água da cidade? Devido a delicada situação financeira que enfrenta, a prefeitura municipal de Cosmópolis perdeu a capacidade de investimento com recursos próprios. Porém, a atual gestão municipal busca verbas por meio de parcerias e contrapartidas para investir na ETA e em obras na rede de distribuição.

Quais os níveis da qualidade da água de Cosmópolis? Quais os órgãos que comprovam estes números? A água enviada para a população de Cosmópolis atende a todos os requisitos exigidos na portaria n° 2914 do Ministério da Saúde para que o recurso destinado ao consumo humano seja considerada potável. Para garantir isto, o DAE realiza 12 análises diárias para medir a qualidade da água que sai da ETA Pirapitingui. Caso ela não atenda aos requisitos da portaria, a produção e distribuição do recurso é suspensa. O departamento também faz a análise diária da água coletada em cinco pontos aleatórios da cidade. Além do controle de qualidade exercido pelo DAE, a água produzida e distribuída em Cosmópolis é fiscalizada pela Vigilância Sanitária municipal, que todo mês coleta o recurso em cinco pontos aleatórios da cidade e na saída de ETA e manda para análise em um laboratório de Jundiaí (SP). A Agência Reguladora (Ares-PCJ) também fiscaliza a qualidade da água municipal. O órgão coleta o recurso em um ponto aleatório do município e manda para um laboratório terceirizado analisar. Tanto a vistoria da Vigilância Sanitária, quanto a da Ares PCJ são realizadas em datas surpresa.

Há possibilidade ou cogitação de privatização do Departamento de Água e Esgoto do município? A prefeitura municipal de Cosmópolis não vai privatizar o Departamento de Água e Esgoto (DAE). No entanto, a municipalidade pode buscar Parcerias Público-Privadas (PPP) para novos investimentos no setor.

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