10/05/2024

‘S.O.S RIO GRANDE DO SUL’: A campanha de doação que mobilizou Cosmópolis

Apesar da baixa expectativa dos organizadores, a corrente voluntária precisou recorrer a uma carreta para transportar os donativos

Voluntários da corrente em grupo (FOTO: Arquivo pessoal/Patrícia Schneider)

Felipe Andrey

Na última semana, devido às fortes chuvas no Rio Grande do Sul, viralizaram nas redes sociais campanhas de arrecadação de donativos para as vítimas das enchentes. Não foi diferente na cidade de Cosmópolis e arredores. Em meio a campanhas de figuras públicas e instituições de maior porte, fosse passando a funcionar como pontos de coleta, fosse viabilizando transporte, a iniciativa em Cosmópolis surgiu pelos próprios moradores.

Água potável, roupas e calçados, alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e de limpeza doméstica – é a lista de itens de urgência que não saiu das redes nos últimos dias.

Tudo começou quando Caroline Favoretti, artista plástica de cerâmica de Cosmópolis, recebeu o convite excepcional de uma companhia aérea onde trabalhou por anos para integrar um grupo interno dedicado à arrecadação de suprimentos para as vítimas da tragédia climática – ao que Carol aceitou de prontidão.

Ela conta que o momento em que sentiu a urgência de ajudar de alguma forma foi quando viu amigos seus, que moram na região, compartilharem fotos e vídeos das enchentes nas redes sociais. “Quando pensei em pedir as doações, nem a mídia ainda tinha notificado o tamanho da emergência nem os correios haviam se disponibilizado para receber as doações”, relatou.

Carol contou com a ajuda da irmã, Franciani Favoretti, para a divulgação das arrecadações. Fran, como é conhecida a maquiadora de Cosmópolis, tem um número expressivo de seguidores nas redes sociais, e, rapidamente, as imagens dos donativos sendo empacotados se espalharam e mais pessoas passaram a participar da mobilização.

Uma delas foi a cirurgiã dentista Laleska Lauxen, que recebeu o convite direto de Fran e abriu as portas de seu consultório em Paulínia (SP) para arrecadação dos itens. Ao relatar a logística usada para as arrecadações, Laleska conta que cada um dos pontos contava com um líder, e que eles mantinham contato constante entre si. “⁠As coletas foram se multiplicando de tal forma que nosso plano inicial de transporte não deu certo. A cada vez que compartilhávamos as doações chegando nas redes sociais, mais pessoas apareciam, querendo doar”, conta a cirurgiã.

Patrícia Schneider, amiga de profissão de Fran que participou da corrente, relata que, a princípio, depois de iniciarem de fato o S.O.S Rio Grande do Sul, elas acharam que lotariam, no máximo, um carro. Enquanto a quantidade de voluntários crescia, ficou viável uma triagem mais cuidadosa e sofisticada das doações: os grupos passaram a fazer separações por gênero, tamanho e número, no caso de roupas e calçados, por exemplo – uma recomendação geral para facilitar a entrega do material para as vítimas.

Contudo, a humilde estimativa de Patrícia e dos demais participantes passou longe de ser a certa. Para o pessoal que ficou na organização, a quantidade de itens arrecadados foi “surreal” – como adjetivou Laleska. Patrícia conta que teve dificuldade de andar pela própria casa, bem como tiveram os alunos da academia Corpo In Forma, em Artur Nogueira, que também serviu como ponto para coleta de donativos. “Acabamos enchendo um caminhão, com cerca de uma tonelada de doações”, conta.

Donativos arrecadados; atrás, integrantes de voluntariado (FOTO: Arquivo pessoal/Patrícia Schneider)

 

A carreta de 12 metros, uma ajuda do empresário Thiago Nunes Ventura, comportou doações de Cosmópolis, Artur Nogueira e Paulínia. Depois de passar pela academia em Artur Nogueira, o grupo finalizou o carregamento lá para as uma da manhã, em Cosmópolis. Laleska também conta qual foi a sensação geral conforme o carregamento ia chegando ao fim: “O sentimento era de Missão cumprida”, diz. “Juntos, a essência de cada um, o pouco de cada um, a vontade de fazer o bem de cada pessoa podem transformar o mundo em que vivemos.”

Carol relatou que uma de suas frustrações durante a corrente foi perceber objetos em más condições sendo doados. “Muita gente confunde o ato doar com o ato de descartar. Doação não é sobre o que não serve mais para você, é sobre separar um tempo para escolher, separar, higienizar e embalar o item. Quando você não faz nada disso é porque você jogaria no lixo, e lixo não é doação.” Apesar disso, ela expressou a gratidão pelo processo. “Eu fiquei realmente rodeada de pessoas que só me mostraram que de nada adianta você ter uma ideia se não tiver pessoas grandiosas para executá-las”, disse, e reiterou a mensagem que permaneceu ao final da corrente. “Ninguém pode ajudar todo mundo, mas todo mundo pode ajudar alguém”, pontuou.

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