05/02/2019

Polícia Civil prende suspeito de assassinar homem e carbonizar corpo em Cosmópolis

Justiça expediu mandato de prisão temporária e delegado diz que ele confessou o crime

Da redação

A Polícia Civil de Cosmópolis prendeu nesta segunda-feira (4) Heitor Ricardo de Oliveira Portela, de 19 anos, suspeito de ter assassinado o padrasto dele André Cândido. A Justiça determinou a prisão temporária de Heitor por 30 dias e prorrogáveis por mais 30 por se tratar de um homicídio qualificado.

André Cândido estava desaparecido desde o dia 27 de janeiro, mas o anúncio de desaparecimento do homem foi realizado dias depois. O corpo dele foi localizado, na última sexta-feira (1), carbonizado e em estado de decomposição no meio a um canavial na divisa entre Cosmópolis e Paulínia (SP).

Delegado de Cosmópolis Fernando Fincatti Periolo realiza entrevista coletiva

Na noite da prisão do suspeito, familiares de André Cândido foram até a frente da Delegacia de Polícia de Cosmópolis acompanhar a prisão temporária. Ao coro de ‘assassino’, os familiares da vítima acompanharam a detenção e a transferência de Heitor para a Cadeia Pública de Santa Bárbara D´Oeste (SP).

Em entrevista coletiva, nesta terça-feira (5), o delegado de Cosmópolis Fernando Fincatti Periolo disse que a Polícia Civil trabalhou desde o desaparecimento de André. Mas, ressaltou que o desenrolar do crime começou após as testemunhas serem ouvidas sobre o momento em que foi encontrado o cadáver.

Para se chegar ao suspeito, a Polícia Civil pontuou que familiares, vizinhos e testemunhas foram ouvidas. “Apesar de não ter um Boletim de Ocorrência (B.O.) registrado entre o padrasto e o enteado, autor do crime, eles relataram desavenças que já ocorriam há muito tempo”, exclamou Periolo. Segundo o Setor de Investigações Gerais (SIG), Heitor golpeou a cabeça do próprio padrasto com uma chave inglesa e, após a constatação de que a vítima não estava morta, ainda deferiu golpes de canivete na região do pescoço.

A Polícia alega que André foi agredido na residência dele, no bairro Recanto das Águas em Cosmópolis. O corpo foi encontrado não muito longe dessa localização.

Na prisão de Heitor Portela, o delegado notou que o suspeito não demonstrou sinais de arrependimento. “O indiciado pareceu bastante tranquilo. É espantoso ver a frieza dele e a forma com que ele fala. Ele dá todos os detalhes de como ele matou, como removeu o corpo, como ateou fogo ao corpo, da gasolina, do fósforo…”, detalhou o delegado.

Sobre a motivação do delito, o representante da Polícia Civil cosmopolense contou que o indivíduo alegou que fazia muitos anos que o padrasto ‘bebia demais’ e, em razão da bebida, ambos discutiam muito. “Ele falou que o padrasto chegou pela manhã e eles ainda estavam dormindo. Assim, começou mais um desentendimento. E como ele já havia se cansado desta situação, e de ele ter sido acordado abruptamente, ele decidiu sem nenhum motivo específico, pegar um objeto que – segundo ele – estava no banheiro (uma chave inglesa) e golpeou o padrasto na cabeça, no crânio. Parece que afundou um pouco o crânio. O padrasto caiu na sala, e como ele não morria, ele pegou um canivete e ainda deferiu alguns golpes no pescoço da vítima”, complementou o delegado de polícia.

Periolo revela que o suspeito disse ter utilizado o carro da vítima para retirar o corpo da casa e levar até o local onde o cadáver foi jogado. Para tentar ocultar a participação no crime, o delegado de Cosmópolis descreveu que Heitor resolveu incendiar o corpo para tentar dificultar as investigações. “Segundo o próprio indiciado, ele ateou fogo no corpo da vítima para que a polícia não conseguisse fazer um elo entre ele e a vítima”.

A polícia não descarta a participação de mais pessoas no crime ou na ocultação do cadáver. Por isso, as investigações avançam neste sentido. “Nós estamos investigando se ainda teve ajuda. Talvez não para cometer o crime, mas talvez para tentar ocultar o cadáver. Mas, isso ainda faz parte de uma investigação. Ele dá alguns detalhes de que teria puxado com corda, utilizado uma tábua, como se fosse para fazer um movimento equivalente a uma gangorra para colocar o corpo no carro. Então, estes dados dependem ainda de uma perícia. Não está descartada a participação de outras pessoas, mas, a princípio, ele é réu confesso e o crime foi cometido sozinho”, corroborou.

A Polícia diz ter realizado diligências pelo local, onde possivelmente o homem foi morto e onde o cadáver foi localizado. Contudo, a arma do crime, uma chave inglesa, não foi localizada. “Ele disse que jogou a arma do crime em uma caçamba. E esse lixo da caçamba já foi retirado. Então não encontramos esta arma até o momento”, argumentou.

Danilo Henrique de Oliveira é sobrinho da vítima e disse que nunca houve nenhum desentendimento grave entre o enteado e o padrasto. De acordo com Oliveira, André sempre dava conselhos para Heitor. “A relação [entre o suspeito e a vitima] é de uma família normal. Ele só queria que o menino trabalhasse. Ele começou a entrar nas drogas e ele nunca gostou disso. Ele [André] bebia, uma coisa que ele sempre fez normalmente, mas nunca mexeu com ninguém. E jamais eles tiveram problema algum. Ele [André] sempre dava conselho, mostrava pra ele o que era o certo e o errado e é uma coisa que nós não conseguimos entender, o porquê de ter feito isso. Uma coisa que não cabe em nossa cabeça”.

O sobrinho acredita que o crime não foi realizado somente por Heitor. Por conta do porte físico da vítima, Danilo considera ter tido participação de mais pessoas na execução. “Meu tio pesava, eu vou chutar baixo, no mínimo 115 quilos. Para uma pessoa carregar outra desmaiada, ou até mesmo acordada de 115 quilos, pelo porte dele [Heitor], que pesa uns 70 quilos, ele não carregava, não carregava… “, argumentou o familiar da vítima.

Na prisão de Heitor, o sobrinho estava na delegacia e confirmou ter visto o suspeito rindo quando estava para ser transferido. “Assim que fiquei sabendo que ele estava vindo para cá [na delegacia], eu vim direito. Ele desceu da viatura dando risada. Quando foram retirá-lo, ele saiu dando risada, com tom de deboche. Ele está tranquilo, ele sabe o que ele fez. Só que ele não quer dar nome de outras pessoas”, relatou.

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