24/04/2020

Otorrinolaringologista do Centro Médico de Cosmópolis explica sobre o novo coronavírus

Como um ser vivo de dimensões ínfimas, que vemos apenas por imagens de super- microscópios, pode causar tamanha mudança drástica em nossas vidas?

Com a recente eclosão da Pandemia causada pelo coronavírus, batizado pela Organização Mundial da Saúde de Covid-19, sentimentos de apreensão, angústia e ansiedade se alastram com igual rapidez à do vírus entre os seres humanos. Vivemos tempos de incertezas em relação ao futuro próximo, em relação ao bem estar e saúde, não só nosso, mas de todos os que nos cercam, principalmente aqueles de nosso convívio próximo. De repente, o mundo como estávamos acostumados a ver, sofre brusca mudança como se estivesse virado de cabeça para baixo.

Mas como, um ser vivo de dimensões ínfimas, que vemos apenas por imagens de super- microscópios ultra potentes, pode causar tamanha mudança drástica em nossas vidas? O primeiro passo para elucidar esse enigma é compreendendo um pouco mais do que já se sabe sobre essa categoria de seres vivos chamados vírus. São seres constituídos de uma única célula, com uma estrutura extremamente simples, basicamente uma cápsula nucleica contendo seu material genético, denominado DNA ou RNA, em alguns casos envoltos por um envelope externo composto de lipídios, substância que compõe a gordura nos tecidos. Termos técnicos à parte, o importante é entender que vírus agem como parasitas: eles só conseguem se reproduzir dentro de um hospedeiro.

Ou seja, eles precisam de algum ser vivo, para continuar existindo e se multiplicando. Este ser que os hospeda pode ser de qualquer espécie, inclusive a nossa de mamíferos. Estudos recentes demonstram que o Covid-19 era restrito ao grupo dos Morcegos. Mas uma característica fatal de muitos seres unicelulares desencadeia toda esta tragédia que observamos atualmente: um belo dia, ao se multiplicar, ocorre uma mutação: o código genético daquele serzinho minúsculo sofre uma leve modificação e assim como num programa de computador alterado, ele passa a realizar tarefas diferentes das que era capaz antes, inclusive a de infectar outros mamíferos, no caso em questão, nós : O Homo Sapiens.

Então, aquela que era uma doença restrita a um grupo que não nos dizia muito respeito, o dos morcegos, invade nossa espécie e logo de cara nos faz lembrar, muito contra a nossa vontade, uma verdade básica, elementar, mas que não prestávamos muita atenção: de que somos apenas mais um grupo de animais na Natureza, sujeitos às mesmas regras, desafios e fragilidades dos demais seres que nos cercam. Sim, somos dotados de um cérebro mais evoluído que os demais, que nos possibilitou vencer muitos desafios de sobrevivência, mas as regras da biologia estão aí para nos ensinar como temos nossas limitações.

Como ele age?

O que dá características próprias ao Covid-19 é a sua alta capacidade de propagação: os indivíduos contaminados demoram de 1 a 14 dias (5 dias em média) para começarem a apresentar sintomas respiratórios. Nas 24h a 48h antes do início destes sintomas e 3 a 4 semanas após o início dos mesmos, a doença pode ser transmitida pelos contaminados. Na maioria dos casos começa como um resfriado comum nas vias aéreas superiores ( boca e garganta) e depois evoluindo para vias baixas como traqueia, brônquios e pulmões. E é nesse momento em que começam os problemas mais graves. O processo inflamatório pode ser muito intenso e levar à extrema dificuldade de ventilação, ou seja , fazer o ar entrar e sair dos seus pulmões e com isso levar o tão vital oxigênio à todas as células do seu corpo. Sabe-se estatisticamente que os pacientes vulneráveis, ou seja, idosos, ou mesmo jovens com doenças prévias, principalmente as respiratórias, como asma, bronquite, enfisema pulmonar, são os que evoluem para formas graves da doença.

O que vai ser de nós?

Epidemias não são novidades na história das civilizações humanas. Já passamos por diversas delas, algumas de proporções globais que chegaram a mudar o curso da história. Só para citar um exemplo, aquela conhecida como Peste Negra, que ocorreu entre 1343-1352, varreu da existência entre 75 a 200 milhões de almas só na Europa. Se você que é descendente de imigrantes, está aqui hoje, é porque seus antepassados Europeus, Asiáticos e Africanos estavam entre os que sobreviveram a estas epidemias. Por isso temos um organismo mais resistente às diversas infecções, diferente de outros povos que não tiveram este contato, como por exemplo os nativos indígenas das Américas.

Nossa espécie também está sujeita à seleção natural descrita por Charles Darwin. Por isso, estudando a História, podemos prever que esta epidemia vai ter seu início, seu ápice, sua queda e vai desaparecer, assim como em eras passadas. A diferença é que agora, ao contrário de nossos antepassados, temos um arsenal tecnológico muito mais amplo e potente para combatê-las. Se na idade média não tínhamos a menor ideia do que provocava o adoecimento e morte das pessoas, hoje sabemos exatamente quem é nosso inimigo e como ele age. Se na epidemia de influenza, conhecida como gripe espanhola, no início do Século 20 não tínhamos a menor ideia de quem estava contaminado, hoje podemos detectar precocemente através de testes laboratoriais. Se antes o suporte à vida era limitado a um leito de hospital e cuidados básicos, hoje respiradores mecânicos podem substituir temporariamente os pulmões combalidos pela infecção. Sim a ciência tem seus limites, mas eles já foram muito maiores em tempos não tão distantes.

Onde eu entro nesta história?

A sua parte consiste em seguir as orientações da ciência, evitando aglomerações, tendo higiene rigorosa, principalmente das mãos, com uso de água, sabão e álcool gel. Se for inevitável sair de casa, use máscaras e procure manter distância das outras pessoas. Mantenha hábitos de vida saudáveis e procure serviços de saúde somente quando realmente necessário. Em tempo: evite discussões inúteis, tão em voga ultimamente, que tentam politizar a questão e achar bodes expiatórios que possamos descarregar nossas frustrações. Tente compreender que toda crise, por mais difícil que pareça, é uma oportunidade de crescermos e evoluirmos.

Talvez a humanidade aprenda com seus erros e dificuldades e assim surja uma nova compreensão do que viemos fazer neste nosso planeta azul. Paz e serenidade são ótimos remédios em tempos de tormenta. Mas esta passa. Tudo um dia passa.


Dr. Marcelo Fernando Bella – CRM 79.114 – Médico Otorrinolaringologista

O médico atende nas unidades do Centro Médico Artur Nogueira. E no Centro Médico Interclinicas em Cosmopolis 3812.2341 3812.2263

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