04/04/2021

Líderes religiosos falam sobre o significado da Páscoa


Da redação

Neste domingo (04) é celebrada a Páscoa, uma das datas mais importantes do cristianismo. Ela celebra a ressurreição de Jesus Cristo, que morreu com o intuito de libertar a humanidade do pecado. A Páscoa marca o fim da chamada Semana Santa, que se inicia no Domingo de Ramos e termina no Domingo de Páscoa.

Para falar sobre o significado dessa data tão importante, o Portal Cosmopolense ouviu líderes religiosos que falaram sobre o significado da Páscoa. Foram ouvidos o padre da paróquia Nossa Senhora das Dores (Artur Nogueira), Edson Tagliaferro, o presidente do Comean, pastor Maurício Anis Rahmé e o pastor da Primeira Igreja Batista de Artur Nogueira, Evandro Cruz.

Padre Edson Tagliaferro: Páscoa Festa da Liberdade e da Vida

“Esta festa é antiga. Os pastores hebreus celebravam a Páscoa no início da Primavera para celebrar os nascimentos no rebanho e aspergiam sangue ao redor do acampamento para que maus espíritos não prejudicassem os mesmos. Associada mais tarde à Festa dos Pães Ázimos, uma festa agrícola, a Páscoa começou a ser celebrada como memória da saída do Egito, o Êxodo. Com uma ceia rica em simbologia, ela traduz o sofrimento do Povo de Deus e sua Libertação, sofrimentos (ervas amargas), pressa (pão ázimo = sem fermento), partilha (cordeiro assado), ação de Deus a favor de seu povo (sangue nas portas), etc. Convido a ler o relato completo em Ex 12, 1 – 14.

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, esta celebração já havia sido deturpada segundo os interesses de grupos da elite de seu tempo, que pouco se importavam em celebrar a libertação, mas sim o que ganhavam com a exploração dos pobres. Jesus já vivia certos conflitos com as lideranças de seu tempo, por amar a todos indistintamente, acolher, perdoar (sem cobrar o que foi grande problemas para os vendilhões do Templo), dava vida. Ele se torna o centro do verdadeiro Êxodo, ou seja, saída de uma situação de escravidão para uma situação de vida plena (Jo 10,10).

Seu amor a Deus e aos pobres o levou a uma situação de perseguição e tentativa de assassinato. Contudo, Nosso Senhor não voltou atrás. Mesmo na dor de sua angústia (chegou a transpirar sangue), continuou obediente ao Pai, mesmo que isso o levasse à morte. A partir disso, Jesus assume a morte não como imposição de sua gente, mas como sua livre iniciativa: “Ninguém tira minha vida, eu a dou livremente” (Jo 10, 18). Dar sua vida seria a forma de selar uma nova Aliança entre Deus e o mundo. Seria nossa verdadeira Páscoa! Seria nossa liberdade definitiva, pois em Cristo nos tornamos novas criaturas, verdadeiramente libertas e chamadas a promover a vida.

Deixa-nos a maneira pela qual viveríamos sua presença entre nós instituindo a Eucaristia, seu corpo sacrificado, seu sangue derramado que recebemos em comunhão em cada missa que participamos. Contemplamos a conclusão de seu ministério e o ápice de seu amor na sua morte de Cruz: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13, 1). Olhamos para o Senhor que agora é o Cordeiro da Nova Páscoa, cuja celebração nos remete ao Coração de Deus que não mede esforços para nos mostrar seu amor de Pai, mesmo que para isso tenha sido necessário que seu Filho se entregasse à morte. E como semente fecunda lançada na terra, entendemos que a obediência a Deus e o amor ao próximo não permite que tal Graça se encerre na Cruz, símbolo agora de nossa redenção, que a supera com a Ressurreição.

Todo este mistério da presença de Deus no mundo através do seu povo escolhido e mais ainda pela vinda de seu Filho Amado em seu mistério de Paixão, Morte e Ressurreição, nós chamamos hoje de Páscoa, que do hebraico significa passagem. Passagem de Deus pelo Egito libertando seu povo, passagem de Cristo da morte para a Vida, penhor de nossa Salvação, passagem da escravidão para a liberdade, passagem da morte para vida na Graça.

É uma pena que tal riqueza humana e de fé muitas vezes seja reduzida a comer chocolate, não que isso não seja bom. Mas existe uma grandeza de amor de Deus em nossa história de salvação que deveria estar sempre em nossa memória, principalmente porque nos anima, nos põe em pé, nos liberta das escravidões mundanas para criarmos uma história sempre renovada na alegria de sermos filhos e filhas de Deus. Principalmente neste tempo de pandemia que estamos vivendo, mais do que nunca precisamos desta presença amorosa de Deus entre nós para nos fortalecer, afim enfrentar e superar toda esta situação de angústia que temos vividos nestes tempos. Que apesar de tantas mortes, tanto descaso do poder público, de tantas famílias enlutadas, de tanto desemprego e fome, seja Feliz nossa Páscoa, pois no Cristo Ressuscitado, esperamos ressuscitar também nós para uma vida nova. Deus abençoe a todos”.

Pastor Maurício Rahmé: A páscoa na visão da bíblia

“No antigo Testamento, a Páscoa era realizada com a morte de um cordeiro de um ano; um cordeiro segundo cada família. O animal deveria ser sacrificado e o seu sangue posto nos umbrais da casa que o sacrificou, porque, a praga destruidora viria e tiraria a vida de todos os primogênitos dos homens e até mesmo dos animais, de toda casa que não houvesse o sangue nos umbrais. (Êxodo, cap. 12)

A palavra Páscoa vem do hebraico – pessach, que significa: passar por cima, saltar por cima. Do grego – pascha, que é o sacrifício pascal, referindo-se ao cordeiro pascal. A mesma palavra se encontra no texto de Êx.12:23 que diz: “Porque o ANJO DO SENHOR passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o SENHOR aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir.” A sua tradução vem realmente da ideia de Deus poupar os seus filhos da destruição dos primogênitos, resultando assim na libertação da escravidão do Egito.

Contudo, a Páscoa não tem o seu significado tão somente no Antigo Testamento, ela tem a sua realização também no Novo Testamento. No entanto, agora com o propósito de uma libertação espiritual, e não física, como na ocasião do Egito, mas sim, da escravidão do pecado.

O que precisamos entender é que agora O Cordeiro Pascal é o próprio Deus encarnado. É o próprio Cristo, Jesus, que foi oferecido para libertação da condenação do pecado. Não foi por um acaso que João Batista disse a respeito de Jesus em Jo.1:29 “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”

Não pense que a morte de Jesus ter ocorrido na ocasião da celebração da Páscoa tenha sido ironia do destino, não, antes, tudo aconteceu conforme o plano perfeito de Deus, para oferecer o Seu Filho em favor de todos, para que, pelo Seu eterno amor, os que o aceitarem, tenham em Sua Graça e misericórdia a Salvação na eternidade com Deus (Jo.3:16).

Jesus pagou o preço com o Seu próprio sangue ao morrer em nosso lugar na cruz (Colossenses, 2:13-15) “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.”

Jesus venceu a morte ao ressuscitar no terceiro dia, dando-nos a garantia de que juntos com Ele viveremos na eternidade. Enquanto a Páscoa no Antigo Testamento é a libertação da escravidão no Egito, no Novo Testamento é a libertação da escravidão do pecado, realizada na pessoa de Jesus, Ele é o Cordeiro Pascal.

A instrução deixada por Jesus a todos os Cristãos, é que celebremos a Páscoa Nele, na ocasião da Ceia do Senhor, como foi celebrada por Ele e seus discípulos, na noite em que foi traído, deixando a todos nós a ordenança de trazer tal acontecimento a nossa memória em sua realização. Pois o pão simboliza o Seu Corpo e o cálice o Seu Sangue.

Portanto, não se engane quanto ao verdadeiro significado da Páscoa. Ela em nada associa com o que muitos comemoram; não tem nenhuma ligação com coelhos ou ovos de chocolate. Não se pode perder a verdadeira essência”

Deus abençoe a todos e uma Feliz Páscoa em Cristo na alegria da Sua Ressurreição.

Pr. Maurício Anis Rahmé: Presidente do COMEAN e Pastor Sênior da Comunidade Vida no Altar

Pastor Evandro Cruz: Páscoa –  Coelhos, Chocolates e Cristo

“Hoje quando falamos de páscoa imediatamente as pessoas lembram do coelhinho e dos chocolates. Quando adentramos aos supermercados neste período, costumamos ver enormes corredores com ovos de chocolate de todos os tipos e tamanhos nas paredes e no teto. Um apelo comercial fortíssimo e altos investimentos em campanhas de marketing causaram a deturpação de uma festa judaica adotada pela cristandade, mas será que as pessoas entendem o real significado da páscoa?

Se observarmos a composição da palavra páscoa, ou sua etimologia, veremos que vem do hebraico ???pecach ou Pessach (que significa passagem), sendo uma festa judaica instituída pelo próprio Deus em Êxodo 12:1-28, para comemorar a libertação da escravidão do Egito (Dt 16:1-3) e o livramento da décima praga, que foi “a morte dos primogênitos Egípcios” (Ex 12:27).

Como falamos no início deste texto esta festa Judaica foi adotada pelos cristãos. Mas como deveria ser a sua comemoração? Para responder precisamos nos ater aos fatos relatados nas escrituras:

  1. A Pascoa Judaica – É mais que uma festa, é um sacramento. Simboliza o livramento da escravidão no Egito e cada elemento tinha um significado especial – os pães sem fermento significavam a saída às pressas, as ervas amargas significavam as amarguras da vida na escravidão do Egito, o cordeiro simbolizava o cristo que viria, por isso deveria ser sem mancha e sem defeito.
  2. A Pascoa Cristã – Na verdade é a celebração da Ceia do Senhor. Que as igrejas cristãs costumam celebrar uma vez por mês, é uma ordenança e um memorial. Foi instituída pelo próprio Cristo conforme Mt 26.17-30; Mc 14.12-26; Lc 22.7-23 – é composta de apenas dois elementos O vinho ou suco de uva que simboliza o precioso sangue de Cristo e o pão sem fermento que simboliza o Seu corpo.

Pautadas as diferenças fundamentais, podemos concluir que o cristão comemora a Salvação pela aceitação do sacrifício de Cristo e celebra a Ceia do Senhor como um memorial ou seja para relembrar sempre, enquanto o Judeu comemora a páscoa que simboliza a libertação da escravidão do Egito. Apesar de parecer ser a mesma comemoração, na verdade são celebrações muito distintas. Se quiser saber mais sobre o assunto aconselho 2 estudos em vídeo cujos liks estão a seguir:

A Páscoa Judaica : https://www.youtube.com/watch?v=sOGR5I_R3wk

A Páscoa Cristã: https://www.youtube.com/watch?v=7T5jpJlgzjo&t=5s

Que o Senhor os abençoe -Shalom para você e seus queridos!”

Evandro O. da Cruz

Teólogo e Pastor da Primeira Igreja Batista em Artur Nogueira

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