24/01/2019

Cosmopolenses lançam livro com história policial em quadrinhos

Jovens contam história de investigação policial que se passa no bairro da Liberdade, na capital paulista

Henrique Oliveira

As histórias em quadrinhos se tornaram febre entre os jovens brasileiros. Um dos motivos foi o de que as editoras estrangeiras Marvel e DC Comics voltaram a todo vapor com os contos de heróis famosos, como Homem Aranha, Super Homem e outros. Além disso, desde 2008, a Maurício de Sousa Produções lançou a ‘Turma da Mônica Jovem’ que conta a história dos agora jovens Mônica, Cascão, Cebolinha e Magali, que é sucesso desde os anos 60 no formato infantil. Segundo o jornal O Globo, os quatro primeiros números da revista chegaram a 1,5 milhões de exemplares comercializados.

Reflexo da ideia de se deixar a história mais atraente, e aproximar o público adulto, é o investimento feito por dois cosmopolenses através de uma obra diferenciada. O escritor Gustavo Tertoleone e o ilustrador João Gabriel trabalharam arduamente para lançar a história policial ‘Nobre Lobo’ que foi publicada no final do ano passado (2018) pela Editora Sesi-SP.

Os dois detetives da Polícia Civil de São Paulo, Luis Nobre e Milton Lobo, são designados a investigar o desaparecimento de crianças no bairro da Liberdade, região central da cidade de São Paulo. “Tem dois investigadores da Polícia Civil do Estado de São Paulo, e eles estão atrás de descobrir quem está causando o desaparecimento de várias crianças ali na cidade de São Paulo. E aí, conforme eles vão investigando e descobrindo que está por trás, eles vão descobrindo que tem uma ‘parada ali’, que é muito fora da realidade como a gente conhece. Uma coisa que quase beira o sobrenatural. Mas não tem respostas para afirmar isso. É sobrenatural mesmo?”, conta Gustavo.

Para João, a ideia da história é este mistério que paira sobre os dois investigadores da Polícia Civil. “A perturbação da história é este não saber. É ou não é. O medo é justamente algo que você desconhece”, complementa o ilustrador. Os idealizadores disseram que se basearam em histórias policiais, mas que dramatizaram um pouco mais para fugir da realidade e dar um enredo mais interessante ao livro.

Gustavo diz que enquanto estava no processo de criação da história não se baseou em nenhum caso real de desaparecimento de crianças. Porém, ao passar do tempo, foi tomando conhecimento de alguns episódios que coincidiram com a história abordada no livro. “Quando estávamos criando, e eu estava escrevendo, não tinha [nenhuma referência com casos reais], era uma inspiração em cima de algumas obras. O que é engraçado é que quando lançamos na ComiCon, começou a sair um podcast chamado ‘Projeto Humanos’ e ele falava do desaparecimento de crianças no sul do país nos anos 90. É quase uma referência que a gente não sabia que existia”, alega Tertoleone.

O ilustrador João Gabriel pontua que pensou na fisionomia dos policiais para começar a desenhá-los. E que eles teriam que ser bem opostos, como conta a trama. “Quando cheguei para o Gustavo, eu tive a ideia de dois policiais bem opostos. É interessante para a história que os dois protagonistas briguem. Eles não podem concordar um com o outro pois isso não é legal. Por incrível que pareça muitas pessoas gostam de ver outras se ‘dando mal’. Então tive a ideia de fazer um cara que fosse crível mas que beirasse a esse moral heroico ‘Superman’ e um cara que fosse o oposto, que não se confia. O Lobo é um cara mais herói, um queixo quadrado, os olhos menores e o bigode que dá imponência. E o Nobre é mais um ‘John Constantine’, um cara que não se importa o jeito que ele vai atingir o seu objetivo, ele quer resolver”, detalha João.

Ambos os cosmopolenses salientam que mesmo com este perfil amedrontador, tanto Lobo quanto Nobre não são vilões. “Apesar de eles terem métodos diferentes eles buscam a mesma coisa, eles são os ‘mocinhos’ , eles não têm nenhuma má intenção. os ideais deles causam atritos entre eles e nas atitudes deles”, complementam ambos.

Dentro da história é possível se ver a Capela dos Aflitos, as luminárias das ruas principais do tradicional bairro oriental de São Paulo e outros cenários. Na ilustração, João Gabriel diz que trabalhou para colocar detalhes peculiares do local onde os personagens passam. Os autores da obra afirmam que foram muitas vezes ao bairro da Liberdade para trazer inspiração para confeccionar os cenários, nos quais se passam a história de Lobo e Nobre.

“Eu já morei em São Paulo, mas não nesta região. Tivemos que ir para lá, tiramos fotos e aí começamos: isso aqui dá pra usar. Este prédio dá pra usar… “, relembra João. Para publicar o livro, os escritores passaram por um edital do ProAc, órgão ligado ao Governo do Estado de São Paulo, de primeira. Segundo eles, foi a primeira vez que o órgão aprovou um edital diferenciado para o interior do Estado. Assim, conseguiram publicar o a obra por uma das maiores editoras gráficas do Brasil, a Editora Sesi-SP.

O livro ‘Nobre Lobo’ foi lançado na ComicCon em São Paulo no final de 2018. O evento é o maior da área que reúne a cultura ‘nerd e geek’ no mundo. Gustavo e João tiveram um espaço, em meio às milhares de outros quadrinhos, para expor a história deles, que angariou boas repercussões no universo dos quadrinhos.

O ‘Nobre Lobo’ recebeu inúmeras críticas positivas, tanto de canais na internet especializados em HQ, quanto de grandes autoridades das histórias do Brasil. Sidney Gusman, um dos maiores especialistas em quadrinhos do Brasil disse que aprovou o projeto. “Estava esperando um ano muito fraco de quadrinhos, mas vocês me surpreenderam”, relata Gusman aos jovens escritores cosmopolenses. O livro pode ser encontrado com os idealizadores (contato no Facebook), no site da Editora Sesi-SP e em livrarias do Brasil.

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